Pesquisa da UFPel vai visitar mais de 8 mil casas para avaliar saúde de idosos em Pelotas

A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) iniciou uma nova etapa de uma pesquisa que acompanha as condições de saúde da população idosa do município. Desde 12 de agosto, equipes do estudo “Como Vai? Estudo Longitudinal de Saúde do Idoso” estão em campo para visitar mais de 8 mil domicílios da zona urbana. A previsão é entrevistar mais de 1,5 mil pessoas ao longo dos próximos oito meses.

O levantamento ocorre em uma cidade onde o envelhecimento da população já representa uma mudança importante no perfil demográfico. De acordo com dados do Censo 2022 reunidos pela Prefeitura, Pelotas possui 67.480 moradores com 60 anos ou mais, o equivalente a 20,71% da população. O município registra um índice de 121,59 pessoas idosas para cada 100 crianças e adolescentes de até 14 anos.

O cenário acompanha um movimento observado em todo o Rio Grande do Sul, estado que possui mais idosos do que jovens de até 15 anos. Para o pesquisador Flavio Demarco, um dos coordenadores do estudo, essa mudança etária também modifica as demandas da área da saúde, principalmente pela maior ocorrência de doenças crônicas e pela necessidade de atendimento continuado no Sistema Único de Saúde (SUS).

Criado em 2014, o “Como Vai?” já passou por cinco etapas de acompanhamento. Ao longo desse período, foram realizadas entrevistas domiciliares e por telefone, avaliações físicas e levantamentos sobre hábitos de vida, doenças e condições de saúde. A fase realizada entre 2021 e 2022 também investigou os efeitos da pandemia de Covid-19, enquanto a etapa de 2024 e 2025 incorporou coleta de material para análises genéticas, uso de acelerômetros para medir atividade física e questões relacionadas ao sono e aos impactos das enchentes.

A nova coleta permitirá comparar o perfil atual da população idosa com os dados obtidos no início da pesquisa, há mais de uma década. Um projeto associado ao estudo busca justamente avaliar as mudanças ocorridas nesse período e os possíveis impactos deixados pela pandemia, incluindo aspectos como saúde mental, inatividade física, uso de medicamentos, quedas, estado nutricional e condições relacionadas à Covid longa.

Durante as visitas, serão aplicados questionários sobre qualidade de vida, alimentação, sono, prática de exercícios e uso de medicamentos. A equipe também fará avaliações relacionadas à força muscular, nutrição, saúde bucal, visão e mobilidade. As entrevistadoras estarão identificadas com coletes da UFPel e portarão uma carta de apresentação assinada pelos responsáveis pela pesquisa.

Os dados produzidos pelo “Como Vai?” já deram origem a artigos, dissertações, teses e outros estudos sobre o envelhecimento. Entre os temas investigados estão obesidade, hipertensão, diabetes, atividade física, capacidade funcional, alimentação, quedas e mortalidade. Um dos trabalhos atualmente vinculados à pesquisa, por exemplo, utiliza dez anos de acompanhamento para estudar a relação entre atividade física e mortalidade entre pessoas idosas.

Outra frente prevista envolve o estudo do material genético da população pesquisada. A proposta é investigar possíveis relações entre características genéticas, processo de envelhecimento e surgimento de doenças crônicas. A UFPel também articula, com a participação de 13 programas de pós-graduação, a criação de um Centro Temático de Envelhecimento Saudável, projeto que está em avaliação pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Para Demarco, a continuidade das pesquisas permite produzir informações que podem subsidiar decisões do poder público. Os resultados, segundo o pesquisador, ajudam a orientar ações voltadas ao envelhecimento saudável, à qualidade de vida e à organização dos serviços de saúde diante de uma parcela da população que tende a crescer nos próximos anos.

Mais informações sobre o estudo estão disponíveis na página do Como Vai?, da UFPel, e no perfil @comovaiufpel nas redes sociais.

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