Quando se fala em inovação, muita gente pensa imediatamente em aplicativos, robôs ou empresas de tecnologia. Mas inovar também é desenvolver uma nova cultivar, criar bioinsumos, melhorar processos produtivos, fortalecer a agricultura familiar ou encontrar formas mais sustentáveis de produzir alimentos.
Foi a partir dessa ideia que a Embrapa promoveu, nos dias 24 e 25 de junho, no Pelotas Parque Tecnológico, o evento Inovação Aberta & Negócios na Pesquisa Agropecuária. A programação reuniu pesquisadores, gestores e parceiros institucionais para discutir como o conhecimento produzido na pesquisa pode sair dos laboratórios, chegar ao campo e gerar impacto econômico, social e produtivo.
A abertura contou com a participação do chefe-geral da Embrapa Clima Temperado, Leonardo Ferreira Dutra, e das chefias adjuntas. Logo no início do encontro, Vinicius Campos, da Superintendência de Inovação e Desenvolvimento Interinstitucional da UFPel, abordou a relação entre ecossistemas de startups e pesquisa científica, aproximando o debate agropecuário das novas dinâmicas de empreendedorismo e desenvolvimento tecnológico.
Ao longo dos dois dias, o evento tratou de temas como parcerias, licenciamento de tecnologias, modelagem de negócios, ativos tecnológicos, bioinsumos, hortifruti, arroz e grãos. A proposta foi mostrar que uma tecnologia desenvolvida pela pesquisa pública precisa de caminhos para ser aplicada: envolve gestão, articulação institucional, financiamento, transferência de conhecimento e conexão com produtores, empresas e comunidades.
O segundo dia aprofundou a discussão sobre ativos tecnológicos da Embrapa Clima Temperado, tecnologias sociais e oportunidades para negócios. Também entrou em pauta o papel dos Núcleos de Inovação Tecnológica na governança da inovação dentro da Embrapa, uma estrutura importante para transformar conhecimento científico em soluções que possam ser protegidas, licenciadas, adaptadas e utilizadas pela sociedade.
Para Leonardo Ferreira Dutra, o evento reforçou a importância de manter a inovação aberta como uma pauta permanente dentro da pesquisa agropecuária. Segundo ele, esse movimento permite ampliar a forma como instituições e pesquisadores enxergam as possibilidades de aplicação do conhecimento científico. “Estamos tendo a oportunidade de olhar com outra visão para possibilidades e modelos de negócio que normalmente não enxergamos. Esse é o desafio: olhar de forma diferente para as mesmas coisas”, afirmou.
